Saber do grave estado de saúde em que se encontra a minha prima Hanne me deixou bastante abalada. A Hanne e as filhas da tia Raquel são pessoas que marcaram muito a minha pré-adolescência. Foi com elas que eu e minha irmã Artionka tivemos a primeira experiência familiar fora do nosso pequeno núcleo de pai, mãe e irmãos. Devido ao fato de eu e Camilo termos nascido no exílio no Chile e a Artionka ter saído muito pequena daqui, nós não tivemos, até os 8 anos, convivência familiar com primos, tios ou com nossos avós.
Uma visita da minha avó Raimunda ao Canadá, ainda no meio dos anos 1970, foi o primeiro gostinho que nós sentimos da experiência do convívio familiar. Mas nem se comparava ao turbilhão de emoções e novidades que foi o grande encontro com a nossa chegada ao Brasil, no início dos anos 1980. Foi ali que nós tivemos a dimensão do amor e do carinho da numerosa família aqui no Amapá e ficamos encantados com isso, nem queríamos ir para casa, a vontade era viver na casa dos primos e primas. Virava e mexia eu ia encher mais um pouquinho a casa do tio João e da tia Bené, que com seus 10 filhos não sofriam de falta de calor humano, mas ali sempre cabia mais um e até hoje é assim. A tia Lica com seus bolos, biscoitos e guloseimas fazia grandes farras familiares, onde se reuniam tanto a família do meu pai, os Capiberibe; como a família da minha mãe, os Del Castilo Góes. Também era muito gostoso passar na casa da tia Conci e no tio Raimundinho, onde o Rafinha, ainda miudinho, aprontava todas.
A casa da tia Raquel era especial para nós naquele momento, foi lá que nós fomos apresentadas ao Amapá, eu e a minha irmã Artionka. A gente adorava estar lá. Era costume ir e não querer voltar para casa, a gente ficava pra tomar café, almoçar, dormir e acordar na casa da tia Raquel, no bairro do laguinho, próximo a casa onde eu moro hoje com minha família. Lá a gente aprontava um monte. A Hanne e a Hoana eram as irmãs mais velhas, então a gente considerava elas já “adultas”, porque elas tinham 4 ou 5 anos a mais que a nossa turminha. Nós, junto com a Kelma e a Rochelle, irmãs mais novas da Hanne, formávamos uma turma incansável na molecagem. Artionka, que era mais velha, transitava entre os dois grupos. Na época de São João, a gente acendia fogueiras enormes e corria pela rua rodando Bombril em chamas, só pelo prazer de ver as fagulhas se espalharem na noite. Naquele tempo a gente aprendeu a brincar de bandeirinha, correndo em disparada pela rua de piçarra. Nós estudávamos todas no GM e inventávamos modas, as vezes de gosto duvidoso, entre elas, a de usar chulipas para ir para a escola. A graça mesmo era inventar moda, não importava qual fosse. Na verdade foi um tempo bom, gostoso, que está guardado em alguma gaveta da memória de todas nós que fizemos parte dele.
A Hanne sempre foi uma pessoa bastante doce, equilibrada e sobretudo, bem humorada. Saber que a minha prima está doente, me fez voltar ao passado, relembrar esses momentos bons que a gente viveu juntas, torcer para que ela vença a batalha que se põe hoje diante dela e dizer que se depender do pensamento positivo de todos nós, ela vai vencer os obstáculos que se impõem a sua frente e de todos aqueles que a amam. Minha tia Raquel, por sua vez, é uma fortaleza e uma mãe protetora, que apesar de estar sofrendo neste momento, mantém a força necessária para proteger sua filha primogênita. Força tia, que tudo vai dar certo!
A vida não é facil, são muitas lutas, dificuldades, mais não exesti uma dor maior do que perde um filho.Que Deus dei muita força a Raquel e toda sua familia.
CAROL
Prof. Raquel,
Sei da sua luta constante por tudo que é de injustiça. Portanto, DEUS com certeza, vai iluminar toda a sua família por esse momento tão difícil!
Com certeza, Hanne sairá dessa vitoriosa, pois uma pessoa de alto astral merece tudo de bom.
Um abraço!
Kátia Quintas
O que me conforma é a certeza que o espírito nunca se vai, é eterno. Hanne não foi, nunca irá. Estará por aí, nos observando, serena como sempre, alegre, maravilhosa, repleta de Luz. Hanne querida, um dia a gente se encontra de novo, com todos aqueles que te conhecem, para mais uma vez termos a oportunidade de estar ao teu lado, sorrindo. Uma salva de palmas a esta grande MULHER. “Qualquer dia amiga, eu volto a te encontrar…”
Meus sentimentos à querida Raquel e Família.