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Política

Genoino cita por duas vezes o PDSA como modelo para o desenvolvimento da Amazônia

Brasília, 27/05/2008 – A disputa em torno da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e a substituição do titular da pasta do Ministério do Meio Ambiente tem esquentado o debate em torno do modelo de desenvolvimento da Amazônia. Nesta quarta-feira, 27, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Amapá – PDSA – foi lembrado duas vezes. Uma, na audiência pública que ouviu Mangabeira Unger, Ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos do Brasil, e outra, no Plenário da Câmara dos Deputados. A defesa das “experiências locais para desenvolvimento com sustentabilidade sócio ambiental” foi feita pelo deputado federal José Genoino (PT/SP), que, nas duas vezes, citou o coordenador do PDSA, o governador do Amapá entre 1995 e 2001, João Alberto Capiberibe (foto).

Capiberibe fez um trabalho pioneiro frente ao governo do Amapá
Capiberibe fez um trabalho pioneiro frente ao governo do Amapá
“A Amazônia não existe sem um projeto nacional, e o projeto nacional não existe sem a Amazônia. Por isso que será muito importante o trabalho que o Ministro Mangabeira Unger executará à frente do PAS, assim como são importantes experiências locais. Quero aqui destacar a experiência do Governo do Amapá, do Governador João Alberto Rodrigues Capiberibe; da experiência do Acre, com Jorge Viana. São experiências marcantes naquela região que construíram alternativas concretas, vinculando os interesses econômicos e sociais com a preservação do meio ambiente”, afirmou o deputado paulista.

O PDSA, implantado no Amapá entre 1995 e 2001, ficou conhecido internacionalmente como modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão das populações, o respeito às culturas tradicionais e o desenvolvimento econômico em harmonia com os biomas locais. São deste período os melhores indicadores sociais e econômicos do Amapá, apesar das transferências constitucionais serem três vezes menores do que as atuais. O estado desenvolveu-se mantendo toda sua cobertura vegetal, já que as atividades econômicas da floresta estavam baseadas na preservação dos biomas e na valorização das populações tradicionais.

Leia, abaixo, a íntegra do discurso feito pelo deputado José Genoíno no plenário da Câmara dos Deputados:
O SR. JOSÉ GENOÍNO (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, coincidentemente, eu quero, após o pronunciamento do meu companheiro de bancada, Deputado Tarcísio Zimmermann, expressar aqui a minha indignação e o meu apoio, como S.Exa. o fez em suas palavras.

Quero trazer aqui um tema importante: a causa da Amazônia. E vou insistir na discussão dessa questão estratégica para o Brasil. A causa da Amazônia é uma causa da Nação brasileira. E o Presidente Lula, esta semana, deixou claro: A Amazônia tem dono. O dono da Amazônia é o povo brasileiro. O Governo do Presidente Lula tem trabalhado, elaborado, se esforçado para solucionar os grandes desafios para que a Amazônia seja um tema nacional e se incorpore ao projeto de desenvolvimento nacional do nosso País.

A política de combinar desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental e social, o plano econômico que o Governo desenvolve a partir do zoneamento ecológico, a política de regularização fundiária, a demarcação das áreas indígenas, que não compromete a segurança nacional, repito, nem a segurança das nossas fronteiras… Já falei sobre essa questão aqui, inclusive citando a legislação, os decretos e a Constituição. A experiência que a Amazônia produz,ao longo da sua história, com as populações, com os trabalhadores, com os negros, índios e habitantes daquela região, Sras. e Srs. Deputados, é uma experiência que tem que ser levada em conta, pois são 22 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia.

Portanto, temos que equilibrar a visão estratégica da Amazônia dentro do projeto nacional, as particularidades do desenvolvimento para cada região — a Floresta Amazônica, os cerrados, as savanas, as regiões — e é necessário estabelecer o respeito através do desenvolvimento da infra-estrutura e o instrumento de integração com as rodovias, hidrovias e a própria ferrovia. Nós inclusive temos trabalhado com alguns colegas. Eu cito aqui o jornalista Duque Estrada, que tem um trabalho brilhante de como fazer essa integração territorial, preservando as adversidades e as características da Amazônia. Temos trabalhado e acho que o Ministro Mangabeira Unger, com quem discutimos hoje a manhã inteira, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, tem todas as condições para gerenciar o Plano da Amazônia Sustentável. Entendo inclusive que o Sistema de Proteção da Amazônia — SIPAM deveria estar vinculado ao Ministério de Assuntos Extraordinários que administra o Plano da Amazônia Sustentável — PAS.

Entendo que o diálogo com as forças locais, garantir a presença do Estado na região, fortalecer as instituições do Estado Democrático de Direito — e a autoridade democrática diz respeito à lei — , o respeito à diversidade étnica, cultural, econômica e política da região, enfim, tudo isso é fundamental para que possamos incorporar, definitivamente, a Amazônia como parte fundamental do nosso projeto nacional.

São 5 milhões 217 mil, 423 quilômetros quadrados. Corresponde a 61% do território incorporando 9 Estados. O nosso Governo está enfrentando esse desafio de solucionar os grandes problemas para construir na Amazônia esse projeto nacional.

A Amazônia não existe sem um projeto nacional, e o projeto nacional não existe sem a Amazônia. Por isso que será muito importante o trabalho que o Ministro Mangabeira Unger executará à frente do PAS, assim como são importantes experiências locais.

Quero aqui destacar a experiência do Governo do Amapá, do saudoso Governador João Alberto Rodrigues Capiberibe; da experiência do Acre, com Jorge Viana. São experiências marcantes naquela região que construíram alternativas concretas, vinculando os interesses econômicos e sociais com a preservação do meio ambiente.

Preservação e desenvolvimento não são contraditórios. Respeito às terras indígenas não é contraditório com a soberania; diversidade étnico-cultural não é contraditório com a visão nacional de um projeto de desenvolvimento da Amazônia.
Era o que tinha a dizer.
Sizan Luis Esberci

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