Washington Picanço sofria de obesidade desde a infância
Washington Picanço que sofria de obesidade desde a primeira infância, agora está feliz
O advogado Washington Luis Magalhães Picanço, 34 anos, pesava 122Kg em 2007. O excesso de peso já não tinha apenas conseqüências estéticas na vida do jovem advogado. “Em 2006, um dia meu pé paralisou, meu pé esquerdo; eu comecei a andar aleijado. Eu mandei puxar, mandei benzer, mandei fazer uma porção de coisas, de certa forma a circulação voltou. Mais tarde, eu fiquei aleijado, eu não conseguia mais mexer meus dois pés. Eu fui carregado para a Unimed. Lá o medico mediu minha pressão, me pesou e eu fiz um exame de sangue. Nesse exame de sangue eu descobri que estava com o meu ácido úrico com índice de 12. Aí o medico me disse que eu estava com uma doença chamada gota”, diz Washington, afirmando que aquele diagnóstico mudou radicalmente sua vida. Naquele momento ele decidiu que emagreceria; primeiro tentou a dieta, que não funcionou, depois ele foi a Belém do Pará, onde conheceu um médico bariatra, o dr. Luis Claudio Chaves.
O advogado Washington Picanço sofria de uma doença chamada obesidade mórbida cuja característica principal é o aumento do volume do corpo devido ao excesso de tecido adiposo além do normal. A cirurgia de redução de estômago, ou bariátrica foi incluída como procedimento a ser oferecido pelo SUS por recomendação da OMS em 2001, quando o Ministério da Saúde descobriu através de levantamento, que vinha gastando muito dinheiro para tratar de doenças decorrentes da obesidade mórbida, como hipertensão e diabetes. Os planos de saúde também foram influenciados para que passassem a incluir o combate a obesidade mórbida.
A medida mais usada para determinar o grau de obesidade é o IMC, o índice de massa corpórea. O IMC é o resultado da seguinte equação:
IMC= Peso / altura x altura
Entre as opções para o emagrecimento rápido e substancial está o balão intragástrico. Trata-se de um procedimento não cirúrgico; um balão de silicone é acoplado a uma sonda para ser introduzido no estômago através de uma endoscopia. Geralmente, 6 meses após a sua introdução, o balão é retirado. Ele ocupa um espaço no estômago e determina saciedade quando o paciente ingere o alimento. Pelo fato de ser temporário, o balão intragástrico não resolve o problema e traz incômodos para os usuários.
Em Belém, Washington decidiu-se finalmente por fazer a operação popularmente chamada de grampeamento do estômago. Seguindo essa técnica o estômago é dividido em duas partes, uma maior e outra menor. A divisão do estômago é feita com grampeadores mecânicos, que são uma sutura mecânica, que agiliza o tempo de cirurgia e reduz a possibilidade de erros. A menor parte está ligada ao esôfago, de onde vêm os alimentos ingeridos. Sobre esta pequena câmara aplica-se um anel de silicone que tem por finalidade manter fixa a saída desta porção gástrica e ainda impedir que ela se distenda no futuro. É feito uma comunicação desta câmara com o intestino delgado para dar continuidade ao trânsito dos alimentos.
Tendência genética
Entre as causas da obesidade – que vão desde fatores psicológicos à falta de exercícios físicos – os especialistas destacam a tendência genética. Quando os pais têm peso normal, 10% dos filhos são obesos; quando um dos pais é obeso, 50% dos filhos são obesos; e quando ambos os pais são obesos, 80% dos filhos são obesos.
Somente as pessoas situadas na faixa de IMC 35 kg/m2 ou mais são passíveis de fazer a cirurgia de redução de estômago, que é uma cirurgia de alto risco. Apesar da grande popularidade que esse tipo de cirurgia tem conquistado nos últimos anos, há médicos que alertam para os riscos do procedimento. “As pessoas têm que entender que trata-se de um procedimento de alta complexidade que só deve ser utilizado em último caso, quando a dieta não funcionou”, afirma o médico Dardeg Aleixo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Amapá.
No caso do advogado Washington Picanço, o procedimento funcionou e tem proporcionado uma mudança de vida para ele. “Hoje eu tenho mais prazer de comer porque eu mastigo mais, sinto mais, as comidas pra mim elas são mais saborosas. Eu tô com 4 meses de operado, tô com 86 kg – perdi 36 kg e ainda vou perder mais. Minha auto-estima aumentou. Eu não era uma pessoa vaidosa que me olhava no espelho e cuidava da aparência; hoje já não, eu tenho a auto estima lá em cima, você se vê diferente, você se acha bonito. Tem também a questão da fadiga, quando você está gordo, tudo te cansa, você se sente debilitado.” Apesar dos benefícios físicos trazidos pelo resultado da cirurgia, Washington faz questão de enfatizar que não fez a cirurgia por motivos meramente esteticos. “Eu já estava com Gota e o meu rins e o meu fígado já estavam comprometidos porque a minha gordura era visceral, um tipo de gordura que vai se enrijecendo em torno dos nossos órgãos. A minha cirurgia era uma questão de sobrevivência”, afirma ele.
Washington Picanço fez a cirurgia através da cobertura de seu plano de saúde. Não é porém o caso de várias pessoas que fazem através do SUS e aqui no Amapá as dificuldades impostas à essas pessoas são muitas. O período pós-cirurgia no caso da cirurgia bairátrica exige um controle alimentar bastante rígido; durante 30 dias o operado deve somente ingerir líquidos. Além disso, é necessário haver acompanhamento físico, com exercícios e acompanhamento médico. Apos a perda maior de peso, o paciente deve ser submetido a cirurgias plásticas para retirar os excessos de pele.
A artesã Áurea Maria Antunes Ramos(foto), 49, conta que engordou por depressão depois que sua mãe faleceu. “Eu não conseguia mais trabalhar, tinha que pegar um táxi para ir de uma esquina a outra” . Ela pesava 195 kg quando fez a cirurgia há 4 anos com o mesmo médico que Washington em Belém, porém num hospital público. Hoje, pesando 117 kg a menos, ela se emociona ao lembrar que a sua foi uma história de muita luta para conseguir fazer a redução de estômago, foi um verdadeiro martírio para fazer a cirurgia através do SUS. “Se eu fosse depender mesmo do TFD(Tratamento Fora de Domicílio), eu estaria no programa só para 2007”, conta a artesã que teve que vender a própria casa para poder manter-se em Belém até a data da cirurgia.
Áurea conta que ficava “clandestina” na casa de apoio que a secretaria de saúde do Amapá mantém naquele estado “A assistente social do governo do Amapá chegou a dizer que eu não podia mais ficar lá, que eu tinha que ir embora. Eu não tinha nada – nem cinta pra trombose, nem medicação, nem alimentação, nem nada – até a ajuda de custo que o TFD mandava eles não me deram pra mim. O SUS garante tudo isso, mas é o Estado que é o problema, o repasse é do Estado. Eu tava pra retornar em dezembro de 2005, e o Abelardo Vaz (secretario estadual de saúde na época) não me liberou mais. Eu tinha que ir com acompanhante, ele não liberou o acompanhante e lá eles só fazem todo o tratamento no Ophyr Loyola (Hospital onde ela fez o procedimento) se você for com acompanhante.”
Apesar de ter feito uma cirurgia bem sucedida, Áurea não tem recebido o tratamento que deveria após a operação, que inclui acompanhamento médico, cirurgias reparadoras e alimentação especial.
Caso de polícia
A família de Michel Cavalcante Lima não se conformou com a morte prematura dele aos 29 anos, no dia 29 de setembro de 2007, 45 dias após ser submetido a uma cirurgia de redução de estômago aqui em Macapá. Eles mantém um blog na internet onde relatam o martírio de Michel até encontrar a morte. Fizeram boletim de ocorrências na 6a DP e denunciaram o médico responsável pela cirurgia, dr. Osvaldo Vicente Santos ao Ministério Público.
Michel Cavalcante teve o baço guardado no freezer da família
Michel Cavalcante: família inconformada
A irmã de Michel, Olga Cristina Cavalcante, que o acompanhou no Hospital São Camilo durante todo o processo operatório e na seqüência da operação, relata o dia da operação, que ocorreu em 14 de agosto do ano passado:
“No dia que o Michel foi operado eu estava lá aguardando a saída dele do centro cirúrgico. Quando ele saiu nós fomos acompanhando ele. Aí nós acompanhamos o Michel, eu e a esposa dele, minha cunhada, acompanhamos até a UTI. Quando chegou lá na porta da UTI veio uma enfermeira e perguntou se nós éramos parentes do Michel. Eu falei, – sou irmã.
– Você pode me acompanhar até o centro cirúrgico para pegar um pacote?
Eu fui, achando que era a bolsa dele. Quando cheguei lá era o baço dele dentro de um saco plástico.
Até hoje a família de Michel ainda não conseguiu respostas para suas dúvidas perguntas. O baço dele foi guardado no freezer de sua casa e passou por uma perícia após sua morte, que atestou não ter havido perfuração durante a cirurgia. A família ingressou com queixa crime na 6a DP e também denunciou o médico ao CRM e ao Ministério Público.
O caso está sendo apurado. O presidente do CRM, dr. Dardeg Aleixo declarou ao blog Notícias Daqui que “os casos de ações contra médicos que tramitam aqui no CRM são sigilosos, até porque depois que as informações são divulgadas, todo mundo fica sabendo e isso acarreta conseqüências para o médico ainda que ele seja inocente. O que eu posso adiantar é que o processo está tramitando e o julgamento será em breve.”
Enquanto o CRM não se pronuncia a polícia e Ministério Público seguem investigando:
“Nós requisitamos da autoridade policial o inquérito respectivo para que ele colha todos os depoimentos, proceda todas as investigações possíveis para nos subsidiar numa eventual denúncia. Aparentemente ela pode ser um crime culposo. Vamos avaliar a possibilidade de crime doloso, tendo em vista de que já há notícia de que esse fato não aconteceu só com uma única pessoa. Esse caso específico se encontra no Ciosp do Congós com o delegado Plínio; a medida que ele concluir o inquérito nós vamos avaliar a possibilidade da denúncia seja culposa ou dolosa.” afirma o promotor Éder Abreu(foto), responsável pelo caso. Abreu faz referência a existência de outros casos de morte de pacientes do dr. Osvaldo Vicente após passarem pela cirurgia bariátrica. Existem pelo menos dois outros casos, incluindo o da morte de Maria Elizabete Nunes Moraes, cuja família ingressou com denúncia no Ministério Público.
Num terceiro caso conhecido de paciente que veio a óbito logo após uma cirurgia de redução de estômago feita pelo mesmo médico, o dr. Osvaldo Vicente, aqui em Macapá, a família não credita a morte a erro médico. Trata-se de Maria de Lurdes Nunes, que fez a cirurgia em novembro do ano passado. Ela era irmã da secretária de Trabalho do Governo do Estado, Anésia Nunes, e a sua cirurgia foi feita no Hospital de Especialidades Alberto Lima. Nesse caso, a família n%
Conheço muitas pessoa que fizeram cirurgia com o Dr.Osvaldo e todas estão bem de saúde o único problema é que as pessoas esperam um milagre,não seguem a dieta,muitos por gula querem voltar ao que eram antes,assim não dá.
É uma cirúrgia muito delicada. Mexer com o prazer da comida precisa de uma equipe multi/inter-disciplinar.
Gostei do novo template. Muito legal. As fotos são ótimas, parabéns e mais sucesso no blog.
Oi Luciana, estou passando rapidinho…mas de cara já gostei das novidades, agora é um site né mesmo..rss…volto com calma logo mais. bjs
Parabéns pelo novo visual de seu sítio.E parabéns ao Capi pelo “cumple años hoy”
Bjs.
Picanço