Bispo denuncia exploração de menores
Do Blog do Brasiliense, 15/04/2008
Na lista dos ameaçados de morte no Pará, o bispo do Marajó, dom José Luiz Azcona Hermoso, denunciou, ontem (14/04), indignado, a omissão dos governos federal e estadual, da Polícia Federal e do próprio Ministério Público Federal diante do recrudescimento dos crimes de exploração sexual de menores em vários municípios do arquipélago do Marajó, no Pará.
Dom José Azcona, que ao lado dos bispos Erwin Krautler, do Xingu, e Flávio Geovenale, de Abaetetuba, recebeu a solidariedade da Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por estarem ameaçados de morte, acusou poder público de não agir em defesa de crianças e adolescentes que continuam sendo prostituídas em municípios do Marajó, citando nominalmente Breves, Melgaço, Abaetetuba e Portel;
- Crianças de 12, 13, 14 anos continuam se prostituindo em troca de alguns quilos de carne, de algumas latas de óleo, afirmou dom Jozé Azcona.
O principal ponto de prostituição infantil, segundo denúncia do bispo do Marajó, fica no rio Tajapuru, uma passagem obrigatória para embarcações que fazem a rota Belém-Macapá, no Amapá. As menores se prostituem por alguns reais em balsas e barcos.
- Essa vergonha continua acontecendo num ritmo intenso e ninguém faz nada. Na há vontade política no estado do Pará para combater essa violência, acusou o bispo.
O religioso lembrou que há três anos apoio a operação da Polícia Federal que desbaratou uma quadrilha que traficava menores para a Guiana Francesa, onde eram obrigados a se prostituir. À época, segundo o bispo, a PF comprovou o envio de 176 crianças para Guiana, sendo que, destas, uma parte eram moradores de Breves, município localizado no arquipélago do Marajó.
- O chefe da quadrilha foi preso no Oiapoque, Amapá, e no mesmo dia apareceram seis advogados para defendê-lo, o que comprova a forçado poder econômico nesses casos, atacou dom Azcona.
O bispo também citou o caso de um membro do conselho tutelar do município de Afuá, que foi flagrado tomando bebida alcoólica com menores.
- Infelizmente, o Pará continua sendo a terra da impunidade, concluiu o bispo.
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