Macapá 19 de março de 2008
Por Raul Mareco
senador Capi,
Lembro-me, lá pelos idos de 1994, quando o senhor ainda fazia campanha eleitoral para o governo do estado pela primeira vez (meses depois sendo agraciado com a merecida vitória), e quando, nesta mesma época, eu trabalhava em uma farmácia na Avenida Padre Júlio, que já não existe mais. Eu tinha 16 anos de idade, nem havia concluído o 1º grau! E recordo claramente, como se fosse hoje, de uma grande carreata que passara nesta mesma avenida, e que o levava junto. Enquanto a carreata passava, eram produzidas em minha mente imagens provenientes de diálogos que eu mantinha com outras pessoas a respeito de sua luta pela democracia neste país, assassinada em boa parte pelas hostes nefastas da ditadura militar. Durante a carreata, um rapazinho, assim como eu, me perguntou: “Quem é João Capiberibe”? Foi quando tive o prazer de responder-lhe: “é o candidato ao governo do Amapá que lutou, junto com sua esposa Janete Capiberibe, e com seus filhos Artionka, Luciana e Camilo, bravamente pela liberdade do Brasil”.
Eu, com 16 anos, como é sabido, não tinha a obrigatoriedade do voto. Mas, há certos fatos em nossas vidas que nos fazem decidir querer algo ou não. Foi o meu primeiro voto, e sempre digo que foi o melhor também, pois, quem tem a grata oportunidade de confiar um voto a um cidadão que ao combater a ditadura, ainda foi exilado politicamente? Fora, a cinematográfica fuga do hospital em Belém… Além de um voto que visava a mudança, era também um voto de gratidão pela contribuição inquestionável que o senhor ofereceu ao país. A partir daí, outros fatos que considero interessantes começaram a acontecer…
Anos mais tarde, tornei-me amigo de seu sobrinho, o Rafael Capiberibe, filho do querido Raimundinho. Não recordo o ano, mas o Lula veio a Macapá a seu convite, e então Rafael me ligou convidando-me para acompanhá-lo até o hangar do governo do estado. Fui, e além de Lula, conheci a Luiza Erundina. Pois bem, outros anos se passaram, e chegou o momento de afirmar ao Rafael que um dia eu trabalharia com o senhor. Anos mais tarde, fiz supletivo para concluir o 1º Grau, fiz todo o 2º Grau na Escola Santina Rioli, ainda no seu governo, quando tive o privilégio de saborear a merenda escolar regional, e logo depois adentrei na faculdade de jornalismo. Continuei sendo um defensor do seu governo, e, em 2006, já formado e desempregado, recebi a ligação da querida Gilvana Santos, convidando-me para fazer parte da equipe de assessoria de imprensa de sua campanha ao governo (“Capi, de novo, governador do povo”, nunca vai sair da minha mente).
Quando eu afirmei que fatos interessantes começavam a acontecer, foi justamente isso. Cito novamente que havia dito ao Rafael que minha vontade era trabalhar com o senhor; o convite de Gilvana foi o auge de minha vontade! Das caminhadas, aos comícios, passando pelo Bailique até a hora da votação, confesso que foi um dos momentos mais marcantes de minha vida, pois, além de eu estar me descobrindo como profissional de assessoria de comunicação, eu estava descobrindo também que o povo queria, e continua querendo, um cidadão popular que não fez cerimônia em fortalecer a democracia brasileira, e que revolucionou um estado através de uma política de desenvolvimento sustentável que atualmente é a “menina dos olhos” de muitos governos.
Há exatos 1 ano e 2 meses, estou como assessor de imprensa de seu filho, o deputado Camilo Capiberibe, com muito orgulho e prazer. Mas, se hoje estou trabalhando no que realmente eu sonhava, se deve à carreata de 14 anos atrás, onde eu descobri que lutar pelo que se deseja conquistar necessita de muita crença nos ideais. Eu me emociono porque sempre há um lugar no passado onde nós começamos a construir uma trajetória vitoriosa em nossas vidas. Seu artigo emociona…
*Parece que não é verdade, mas no dia em que a carreata passou, minha tia, então proprietária da farmácia, estava ouvindo esta música:
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz à hora
Não espera acontecer…
Geraldo Vandré
É a minha trilha sonora desta época.
Caso seja possível, gostaria de saber se o grupo Acorda Amapá ainda possui site em que divulgam seus protestos. Vi que o blog está desatualizado há três meses e queria me informar sobre o que vem acontecendo no caso da MMX Amapá.
Obrigada.
capi eu sou e sempre serei sua fã,até porque meu pai vota em você há anos.eu gosto muito da sua família;