Deu no Diário do Pará
Segundo o Repórter Diário, a nobre coluna do jornal Diário do Pará, edição de domingo 9, o prefeito de Macapá, João Henrique (ex-PT, atualmente no PR), pagará R$ 10 milhões para os dirigentes da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis para levar ao Sambódromo, em 2008, o samba-enredo do carnavalesco Alexandre Louzada, “Macapaba, equinócio solar, viagens fantásticas ao meio mundo”.
Os dirigentes da Beija Flor foram envolvidos na operação Hurricane, da Polícia Federal, e João Henrique, na operação Pororoca, também da PF. Escolas de samba cariocas, dirigidas por nebulosos chefões, são balcões de negócios.
Macapá, a capital do estado do Amapá, situa-se na boca do rio Amazonas e é cortada pela Linha Imaginária do Equador. O Amapá, banhado pelo oceano Atlântico, é o mais setentrional ponto da costa brasileira, na Amazônia Caribenha.
Tanto o Amapá quanto Macapá são fantasticamente belos, mas assolados por politicagem, ladroagem, omissão do estado e a lei do mais forte. É absurdo, mas verdadeiro: falta água encanada em Macapá, banhada pelo maior rio do mundo, que despeja no Atlântico 200 mil metros cúbicos de água por segundo, em média.
Macapá não tem esgoto. Suas ruas são esburacadas. A produção de energia elétrica é precária, pois a empresa do estado, Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), está falida. Bebês morrem diariamente na maternidade local, contaminados por infecção hospitalar, e pacientes morrem nos corredores do sistema de saúde local, saqueado pela máfia da Saúde. Macapaenses morrem de dengue aos magotes, ou por bala e faca nas ruas da cidade.
Quanto ao estado, o Amapá é o mais rico do país em pescados, pois suas costas atlânticas recebem nutrientes do rio Amazonas, mas quem pesca são piratas estrangeiros. Muito do pescado vendido em Macapá é oriundo de Belém e Manaus. A Universidade Federal do Amapá (Unifap) não oferece curso de oceanografia, nem de engenharia de pesca.
Há mais de meio século, jorra dinheiro para a construção da única rodovia federal no estado, a Macapá-Oiapoque, BR-156, jamais concluída; um veio que os governantes que se sucedem não querem exaurir. Outro ralo é o Porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá - porto estratégico e subutilizado, que já deveria ter sido federalizado -; sumidouro de verbas.
Não é à-toa que amapaenses entram clandestinamente na Guiana Francesa, mesmo cientes de que se forem pegos serão expulsos na porrada; e que tantas crianças se prostituem nessas terras de ninguém. É miséria, mesmo. Isso, o Carnaval não apagará.
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