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Entrevista Jackson Lago


Helayne Boaventura
Da equipe do Correio Braziliense - Publicado na edição de ontem, 14

Pedro Henrique Freire
Do Imparcial

A entrada em cena de um personagem envolvido na teia de denúncias contra Renan Calheiros (PMDB-AL) foi fundamental na decisão do senador de se afastar da presidência da Casa. Depois que o ex-senador Francisco Escórcio foi apontado como espião do peemedebista, com o objetivo de bisbilhotar a vida de parlamentares da oposição, a situação política de Renan se deteriorou a ponto de obrigá-lo a pedir licença. Escórcio é figura conhecida entre políticos do Maranhão, como auxiliar do senador José Sarney (PMDB-AP). Por isso, passou a ter influência também na vida do governador maranhense, Jackson Lago (PDT). Lago diz ter certeza de que Escórcio tenta montar um dossiê para prejudicá-lo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde enfrenta processo movido pela adversária e senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Ele é acusado de distribuir cestas básicas para vencer a disputa. Se ganhar na Justiça, como acredita, o governador terá superado apenas um dos muitos problemas que tem de administrar. Além da situação dramática nas contas públicas, que o obriga a repetidas visitas a Brasília em busca de socorro financeiro, Lago ainda é alvo de investigação do Ministério Público em denúncia envolvendo a empreiteira Gautama. Ele foi acusado pela Polícia Federal de receber R$ 240 mil para favorecer a construtora, fato que nega. Em entrevista ao Correio, o governador falou de Escórcio, TSE e de eleições municipais.
Ataques a adversários
Carlos Moura/CB -9/10/07
“Ele (Francisco Escórcio) é uma figura secundária que executa algumas tarefas que o (senador José Sarney) determina”

O senhor acredita que o ex-senador Francisco Escórcio está montando um dossiê contra o senhor?
Ele é uma figura secundária que executa algumas tarefas que o (senador José) Sarney determina. Não faz outra coisa a não ser isso.

Escórcio disse que estava em Goiânia para tratar do processo contra o senhor…
Isso mostra que ele está a serviço de colher informações. São os mesmos advogados talvez que eles utilizaram no caso do (João) Capiberibe (senador cassado pela Justiça Eleitoral). São esses goianos que deram entrada na petição contra mim.

Pelos métodos de Escórcio que o senhor conhece, o senhor acredita que ele espionou a oposição?
Eu não estou muito a par desse assunto. Mas as práticas desse grupo dominante do Maranhão são lamentáveis.

O senhor teme a cassação na Justiça Eleitoral?
Eu confio na Justiça. Tenho certeza de que a Justiça Eleitoral não vai descer a esses níveis. O problema é que eles ficaram um tempo tão prolongado dominando o estado, exatamente 40 anos, que para eles era impensável um dia perder a eleição e não conseguir com que os tribunais mudassem esse quadro.

Há especulações sobre a indicação do senador Edison Lobão, que é seu adversário, para o Ministério de Minas e Energia. Isso o prejudicaria?
Todos os cargos federais são sempre deles no Maranhão. Um dia eu até comuniquei ao presidente da República que o programa Luz para Todos, que ele diz ser a menina de seus olhos, lamentavelmente no Maranhão não vai bem, está bem abaixo da média nacional. Isso se deve ao uso político, no mau sentido. A família Sarney tem uma capacidade imensa de acomodação no governo federal. Há gente que diz que eles são do PC, não do Partido Comunista, mas do “Partido da Cortiça”, está sempre boiando.

A que o senhor atribui o grande número de pré-candidatos para a eleição em São Luís?
É uma eleição em que tradicionalmente há muitos candidatos. Eu, por exemplo, disputei a eleição em São Luís quatro vezes.

Avalia-se que na eleição municipal o debate nacional ficará de fora. O senhor concorda?
Não há debate nacional, mesmo nas cidades grandes. As eleições municipais serão marcadas pelos problemas locais.

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